Praias no Espírito Santo

Fernando de Noronha: ilha paradisíaca!




E ai, partiu?




  Há alguns destinos que só em pensar na possibilidade de estar lá, você já sente um frescor na alma e Fernando de Noronha é um deles. Mas como sabemos, quando o lugar é muito procurado, a dica é se programar com uma certa antecedência, garantindo assim,  não só um espacinho no paraíso, como também, uma passagem área em conta. A paciência nessas horas é a alma do negócio e saber se planejar, buscar informações para que a viagem possa ser bem aproveitada, faz toda a diferença.

  A demanda do turismo à ilha é maior do que a oferta de hospedagem, então, não é à toa que os moradores da ilha se envolveram no comércio local, oferecendo também hospedagem aos turistas e seus familiares.

  Fernando de Noronha surgiu através de uma erupção vulcânica há milhões de anos atrás, ao todo são 21 ilhas que compõem o arquipélago. Há voos regulares saindo de dois locais do continente, Natal e Recife. Hoje, as cias áreas que fazem esse trajeto são a Gol e a Azul. Quando fui ao arquipélago, optei por pegar o voo da ida por Recife porque após a minha visita à ilha, voltaria para o continente com o destino a Natal, iniciando a segunda pernada da viagem. Atenção para o fuso horário de uma hora a mais que Brasília.
  Alguns pilotos, ao chegar à ilha, fazem voos rasantes para apresentar à ilha aos novos visitantes: o encantamento pela ilha já começa antes mesmo de você sair do avião. Assim que você desembarca, há a formalidade do pagamento das taxas de preservação e permanência na ilha. Caso haja algum imprevisto e você precise voltar pro continente antes do previsto, você pode pedir ressarcimento das taxas antes de embarcar.

Fernando de Noronha: chegada a ilha (foto da Katia Oliveira)


  Uma dica para os turistas é aproveitar bem as atividades, para isso, sugiro que façam um curso de mergulho antes de sua viagem para que você possa desbravar com mais calma as maravilhas no fundo do mar. 

  Quando eu fui, não tinha feito o curso de mergulho, que aliás, ainda não o fiz até hoje kkk... Então a minha opção foi fazer o batismo! Olha, o batismo é uma opção boa e eu adorei o meu mergulho, não tenho nada contra e foi uma experiência incrível! Eu estou sugerindo o curso de mergulho porque tinha percebido, durante a minha estadia em Noronha, que os turistas que já eram oficialmente mergulhadores não ficavam tão limitado a um lugar específico para o pratica do mergulho. Além disso, os preços de aluguel de equipamentos são mais em conta para mergulho duplo do que o batismo.

  Se eu já gostei do batismo, imagina se eu tivesse carteira de mergulhador e fechado um pacote com um grupo? Seria fabuloso!!

  Uma observação importante e de segurança  na hora de alugar o equipamento é de realizar os mergulhos em grupo, mesmo tendo a habilitação pra mergulhar sozinho. Esse tipo de escolha vai de cada um, no meu caso, acho muito mais divertido e prudente nadar e/ou mergulhar em grupo do que sozinho. Não se esqueçam que vocês estarão mergulhando em alto mar, no meio do Oceano Atlântico, sujeito a mudanças de ventos e correntes fortes. Link com a profundidade e categoria do usuario nos 16 pontos principais de mergulho da ilha.

Fernando de Noronha: mapeamento dos pontos de mergulho (Foto da web contribuindo para ilustracao)


  Geralmente as equipes de mergulho saem pelo porto da ilha onde você pode visualizar de pertinho um náufrago. Os náufragos são destinos estratégicos para o mergulhadores devido ao número grande de animais marinhos que vivem circulando constantemente pelas carcaças dos navios a procura de alimentos. Nas carcaças desenvolvem milhares de plantons, algas, micro organismos e corais provocando um ambiente propício e saboroso para os peixes da região. 

Fernando de Noronha: mapa indicando a localizacao dos naufragos (Foto da web contribuindo para ilustracao)


  Falando em peixes, sim, há muito tubarões, golfinhos e a diversidade é bem grande por lá, mas não fiquem preocupados, são peixes muito bem alimentados porque vivem num ecossistema em harmonia, por isso estão bem acolhidos em seu próprio habitat natural. Não há notícias de ataques ou algo semelhante. 

  Próximo ao porto, você pode visitar o Museu dos Tubarões, um espaço dedicado ao animal já que tem muitos naquela região. Ele fica na direção do Buraco da Raquel, um recanto rodeado de piscinas rasas que dizem ser um "celeiro de vida marinha", por isso é proibido descer até lá. Além desse museu há também o Museu da Energia e o da Tartaruga Marinha, projeto Tamar.


Fernando de Noronha: Museu do Tubarao.


  Pra quem gosta de passeio de barco, há muitas opções, mas o que esta realmente chamando a atencao 'e o Projeto Navi.

Foto da web para ilustracao 

Foto da web para ilustracao 


  Eu preferi desbravar à ilha a pé, ou melhor, pegando algumas caronas e o mini ônibus que circula pela BR-363 com os seus sete kilometros que cruza a ilha de uma ponta a outra, desde a Baía do Sueste até o praia do porto.

  Há um costume deles de pegar carona e como o ônibus, as vezes, demora um pouco pra passar, elas são bem vindas. Mas confesso que eu não tenho esse costume devido à violência que nos assombra diariamente, por isso, as minhas caronas eram selecionadas kkk.. Como eu estava hospedada na pousada Estrela do Mar que fica localizada atrás da tv local, eu acabava indo ao encontro do carro de reportagem que circulava pela ilha em busca de novidades. Você imagina como o repórter local tinha que suar a camisa pra arranjar algum assunto por ali? Um lugar paradisíaco, mas sem muitos acontecimentos novos para divulgar na hora televisiva local. Um dia parei pra assistir o repórter e eles estavam apresentando o primeiro dia de uma criança na escolinha. 

  Além de andar a pé, pegar o ônibus ou caronas, há opção de alugar um bugue também. Boa sorte! Como eles são antigos e a maresia detona com o motor, muitos param pelo caminho por falta de manutenção. Mas há os que têm sorte mesmo e pega um com motor resistente.

  Na primeira noite fui até ao centro do Ibama para assistir à palestra do dia. Elas acontecem bem no início da noite e é uma ótima oportunidade de conhecer, através de profissionais do meio ambiente, como a ilha é preservada. Mas as palestras não falam só disso não, eles avisam sobre o que pode e não pode fazer na ilha, mostram a tábua das marés, a história do local e por fim, divulgam vídeos bem interessantes sobre ilhas do Brasil como a Ilha de Trindade e outras que são controladas pela Marinha e o acesso é extremamente restrito.

  Após as palestras, chega a vez do luar e dos agitos noturnos. O meu programinha à noite acaba sendo mais leve, porque  admirar as estrelas já está bom demais da conta, soh! Além de que gosto de aproveitar bem o dia, acordando cedo e aí, no final dele, a japa já está pronta pra contar as estrelas pra dormir.. Kkk.. Mas para os forrozeiros de plantão, a dica do cantinho da ilha mais badalado para dançar um forró ou maracatu é o Bar do Cachorro ou o Muzenza, eles intercalam pra não atrapalhar a freguesia do outro. Há outras curtições pela ilha, então, é só perguntar aos nativos sobre a melhor opção de diversão noturna para o dia que vocês quiserem sair e se divertirem.

  Dia de acordar cedo e curtir a ilha. Mas não! Fui numa época que chovia forte quase todos os dias de manhã .. Inacreditável! Fui uma semana antes do Carnaval e me disseram que a melhor época é no segundo semestre, por causa das chuvas. O jeito foi esperar a tempestade de verão passar pra iniciar as andanças. Mas olha, não tenho o que reclamar não, porque andei um bocado por lá!

  Fiquei atenta em anotar os horários da maré baixa pra poder fazer o trajeto Praia do Cachorro até a Baía do Sancho. A ida foi um sucesso, mas a volta, foi uma aventura! A maré já estava subindo a todo vapor. Esse tipo de percurso de ir e voltar pela orla não é aconselhado para adultos que estiverem com crianças, pois se você demorar para voltar, há um risco de atravessar algumas praias pelas pedras e as crianças podem ficar apavoradas com a água batendo nelas, podem escorregar e se machucar. Bem, não é recomendado inclusive para os adultos, ok? Demorei pra voltar porque cada praia tem o seu encanto e despedir-se delas foi uma tarefa muito difícil. Algumas tinham piscinas naturais nas rochas vulcânicas e o banho acabava sendo obrigatório. Ah! não se assustem com as lagartixas Mabuyas, elas estão em todo o lugar, ja fazem parte da paisagem e simbolo da Ilha.

Fernando de Noronha: Praia do Bode, parada para uma foto durante a caminhada ate a Baia do Sancho. Observem como a mare esta muito baixa. Consegui chegar ate o Morro Dois Irmaos andando.

  Todas as praias desse trajeto ficam localizadas no Mar de Dentro, que é voltado para o continente a 300km de distância. As praias desse lado da ilha são: Praia do cachorro, do Meio, da Conceição, Boldró, Americano, Bode, Quixaba, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos, Baía do Sancho e por ultimo a Baía dos Golfinhos. Deslumbrante! 

  Outra aventura por trilhas foi a do Mirante dos Golfinhos. Essa é imperdível! A trilha é de fácil acesso, tem uma boa manutenção, de moderação baixa, por isso, super fácil de caminhar. O passeio é agradabilíssimo! A flora local é de uma diversidade incrível e mapeada através de  placas que fornecem informações sobre a planta que está sendo indicada, muito interessante! 

Fernando de Noronha: Exemplo da identificacao das arvores (foto da Katia Oliveira)

  Ao chegar no mirante da Baía dos Golfinhos, você encontra um ponto de observação o qual permanece sempre ocupado com voluntarios envolvidos no Projeto do Golfinho Rotador. Eles ficam observando a chegada e saída dos golfinhos na baía, por isso o nome dela, ao ponto de contar com a ajuda de um binóculo, quantos entraram e saíram da baía diariamente. Para quem quiser assistir os golfinhos na baia, sugiro acordar bem cedo e levar binóculos. Tive a sorte de ver, a olho nu, uma tartaruga gigantesca nadando perto das rochas e digo gigantesca pelo fato de eu ser míope e pude identifica-la com facilidade do alto do morro. 


Fernando de Noronha: ponto de observacao da Baia dos Golfinhos.

Fernando de Noronha: ponto de observacao da Baia dos Golfinhos. Conversando com as meninas voluntarias do Projeto Golfinho Rotator.

  Seguindo em frente, você pega a trilha para a Baía do Sancho, passando pelas ruínas do Forte de São Batista e uma escada encravada em um penhasco de 40 metros. Na época que passei pelo Sancho, havia muitos ninhos de tartaruga na areia da praia os quais foram cercados pelos fiscais do Tamar evitando que algum distraído não pisasse no local. 

  Outra trilha bastante frequentada também é a Costa Esmeralda, que vai do Boldró à Cacimba do Padre. No final dela você se depara com a vista que é o cartão postal da ilha: Morro Dois Irmãos visto do alto.

Fernando de Noronha: vista do Morro Dois Irmaos.


  A praia do Boldró é conhecida e requisitada pelas locações de programas da Globo, mas a minha paixão `a primeira vista foi a Baia do Sancho. Veja bem, todas as praias são lindas, mas sempre tem uma escolhida como sua preferida de coração. 

  Muitos guias levam seus grupos, no final do dia, para assistir o por do sol na praia do Boldro, mas ha uma extensao fantastica de praias para que voce possa escolher qual 'e a que voce quer ficar nesse momento magico, entao, vai depender da sua disponibilidade em percorrer as praias no finalzinho da tarde.

Fernando de Noronha: por do sol na Praia do Boldro (Foto da Katia Oliveira)


  Não esqueçam do repelente porque os mosquitinhos fazem a festa! Uma outra sugestão seria passar óleo de amêndoas, pois além de hidratar a pele, evita o ataque feroz deles.

  Agora, pra quem é trilheiro ativo e gosta de uma dificuldade e emoção, tem uma trilha especialmente pra você: a Ponta do Capim Açu. Ela é aberta somente em alguns meses do ano, então, quando chegar à ilha, se informa se ela está aberta. Não a fiz e dizem que ela é bem puxada, grau de moderação elevado. Ela é realizada dentro do Parque Nacional acompanhado de guias do IBAMA e vai até a Praia do Leão, uma das praias mais selvagens da ilha. 

  Na outra banda da Ilha, há as praias do Mar de Fora: Praia do Leão, de Atalaia, Ponta das Caracas, Baía Sueste, Enseada da Caeira, Buraco da Raquel e Ponta da Air France.

  A Praia do Atalaia é um dos passeios mais procurados na ilha. Quando eu estive lá, o acesso para essa praia era feito através de bugues e eles ficavam numa fila de espera para entrar no caminho que levava até a praia. Mas o motivo da espera é porque o IBAMA limita a quantidade de pessoas por vez e por dia para que o meio ambiente não seja agredido.


Fernando de Noronha: Praia do Atalaia ao fundo.


  Como havia dito, foi uma semana de chuvas por lá e os bugues ficavam dançando e engasgados na lama, foi até divertido deslizar pela lama, mas de certa forma perigoso também. Chegando à praia, você tinha um tempo certo para permanecer nela, para que outros que estavam na fila pudessem entrar também. Fiquei sabendo que há uma trilha que chega nela também, não tendo a necessidade de alugar um bugueiro ou bugue.


Fernando de Noronha: Praia do Atalaia. 


  Chegando a praia, depois de uma longa espera, preparei o snorkel e a câmera e fui mergulhar. Esse lugar é requisitado devido o número de recifes que formam piscinas naturais e por ser o berço dos tubarõezinhos. Pois é, esse detalhe ninguém havia me falado e somente percebi isso já dentro d'água. Estou eu lá feliz e contente observando a vida marinha perto das rochas, me afastando um pouco da praia até ir ao encontro de um tubarãozinho, o qual eu demorei a identifica-lo porque perto das rochas a visibilidade é parcial, mas com certeza ele já tinha me visto há tempo.
  
  Eles não fazem nenhum mal, mas tomei aquele sustinho básico. Talvez eu não tivesse tomado nenhum susto se soubesse que iria esbarrar com filhotes por ali, então, agora vocês estão avisados, ok? Eles são dóceis, o mergulho é ótimo e o lugar é maravilhoso!

Fernando de Noronha: Praia do Atalaia

Fernando de Noronha: Praia do Atalaia.

   Baía do Sueste também é um passeio imperdível e o mar está sempre calmo, por isso muito propício ao mergulho livre. A calmaria acontece devido às ilhas que ficam em sua baía: Ilha Cabeluda, Ilha do Chapéu do Sueste, Ilha dos Ovos e a Ilha Trinta-Reis. O mergulho na baía é indicado por boias para que o ecossistema não seja afetado. Mesmo sendo um local famoso onde as tartarugas se alimentam, não tive a sorte de vê-las, pois a visibilidade perto da praia não é boa, mas a praia é linda e vale a visita. Espero que vocês tenham sorte quando fizerem o passeio. 

  A Ilha de Noronha é cheia de atrativos naturais e tenho certeza de que qualquer programação que vocês realizarem será puro encantamento! Divirtam-se e aproveitem bem a estadia na ilha! Se quiserem comentar sobre a sua viagem, fiquem a vontade. O objetivo do blog é esse mesmo, compartilhar dicas, experiências, novas descobertas. Serão sempre bem vindos!


CONFIRAM o post da Suzy Freitas do blog VIANJANTE EM SÉRIE. Acabei de ler as dicas e amei!! Quem não tem vontade de voltar para a ilha paradisíaca de novo? 




  Agradecimento especial para a minha amiga Katia Oliveira, uma flor de pessoa, que compartilhou comigo suas aventuras em Noronha recentemente, ajudando-me a escrever um post atualizado. Visitei a Ilha por volta de dez anos atras, mas parece que foi ontem. Obrigada amiga pelo carinho! Bjkas

Contato da Katia: https://www.facebook.com/katiaolivbeira


8 comentários:

  1. Excelente visão de Noronha! Mesmo tendo ido há algum tempo atrás suas dicas estão atualizadas! Parabéns ! Beijocas!

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    1. Você foi uma excelente colaboradora! Obrigada pelo carinho! Bjkas

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  2. Dani, adorei o post de noronha... Parece que foi ontem... nem me dei conta que o tempo passo a não ser na foto...r srsrsrs
    Adorando o blog.

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  3. Dani, quantos dias ficar em Noronha?

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    1. A quantidade de dias é bem relativo, pois vai depender da disponibilidade do viajante e de sua programação de viagem.

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  4. Oi Dani. Gostaria de saber quando vc fez a trilha da praia do cachorro até a baía dos porcos, que horas vc começou? Ate que horas era a maré baixa? Pela tabela das marés vc recomenda voltar a partir de quanto tempo da maré chegar em seu mínimo? Da pra percorrer todas essas praias indo pela areia?

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    1. Oie Hallisson, tudo bom? Eu estava viajando e só agora que pude te responder, desculpa.
      Olha, o mais importante é você, assim que chegar na ilha, ja se informar sobre as marés. Essa caminhada só fica segura quando a maré está baixa e ela modifica todos os dias.
      Eu gosto de andar, então fui amarradona. :-) Sugiro que inicie a caminhada quando a maré estiver baixando. Por medida de segurança, você precisa estar na praia, que será o seu destino final, quando a maré tiver no seu pico mais baixo. Assim terá tempo para voltar tranquilamente.
      Sugiro que não vá tão longe, pois as praias são lindas e sempre paramos para mergulhar e esquecemos que a maré não nos espera. Beijos

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